Sex. Abr 4th, 2025

As bolsas norte-americanas registaram uma forte queda esta quinta-feira, com o índice Dow Jones a recuar mais de 1.000 pontos, após o anúncio inesperado de tarifas comerciais elevadas por parte do Presidente Donald Trump. As novas medidas, apelidadas de tarifas do “Dia da Libertação”, provocaram uma vaga de pânico nos mercados financeiros a nível mundial.

O índice Nasdaq Composite, fortemente concentrado em tecnologia, liderou as perdas com uma queda superior a 4%. O S&P 500 desvalorizou 3,1%, enquanto o Dow Jones Industrial Average registou uma descida de cerca de 3%.

As grandes tecnológicas estiveram entre as mais afetadas. As ações da Apple caíram mais de 8%, alimentadas por receios de perturbações na sua cadeia de abastecimento. A China, que fornece componentes essenciais para o iPhone, foi alvo de novas tarifas dos EUA, elevando a taxa total aplicada ao país para 54%. A Nvidia e outras fabricantes de chips também sofreram fortes perdas, refletindo preocupações semelhantes sobre os fornecimentos provenientes da Ásia.

As tarifas anunciadas seguem uma abordagem em duas fases e entram em vigor a 5 e 9 de abril, respetivamente. A nova política impõe uma taxa base de 10% sobre todos os parceiros comerciais dos EUA, com encargos adicionais para os países considerados “infratores” em termos comerciais. Estes últimos enfrentarão taxas substancialmente mais elevadas.

No total, cerca de 185 países serão afetados por estas novas medidas, que elevam a taxa efetiva de tarifas dos EUA para o nível mais alto dos últimos 100 anos.

A reação dos mercados foi global. Os investidores receiam retaliações por parte dos parceiros comerciais visados, o que poderá desencadear uma guerra comercial em larga escala e comprometer o crescimento económico mundial. Na Europa, o índice Stoxx 600 caiu mais de 2%, enquanto o Nikkei 225 do Japão recuou 2,7%, atingindo o nível mais baixo desde agosto.

Em Wall Street, os analistas estão agora a avaliar o impacto setor a setor. As ações de grandes retalhistas como a Walmart, a Target e a Nike também sofreram perdas significativas, refletindo a preocupação com possíveis interrupções nas cadeias de produção localizadas na Ásia.

As novas tarifas introduzem uma incerteza acrescida nos mercados globais num momento em que a economia internacional já enfrenta desafios. Investidores e empresas preparam-se agora para uma nova fase de tensão comercial, com consequências imprevisíveis para o comércio mundial e a estabilidade dos mercados financeiros.